quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Contos Tradicionais Portugueses

As turmas do sexto ano trabalharam a obra "Contos tradicionais Portugueses" de António Mota, nas aulas de Língua Portuguesa, com a professora Virgínia Fernandes. As atividades realizadas passaram por leitura dos contos, reconto oral dos mesmos, resumo e adaptação de alguns deles para representação na Biblioteca Escolar, por ocasião da comemoração do mês da Bibliotecas Escolares (outubro).



Aqui ficam alguns dos resumos elaborados.




A Gaita Maravilhosa




Esta história começa num caminho estreito, coberto de pedras, buracos e poeira. O silêncio era absoluto, apenas se ouvia o canto das cigarras, dos grilos e de alguns pássaros. O céu estava muito azul. Era de tarde e o sol queimava a pele de dois viajantes que percorriam aquele caminho. Eram eles Jesus e Pedro.
-Tenho tanta sede, Senhor!
- Tem paciência, Pedro. Estou certo de que daqui a pouco a sede desaparece. Olha, aproximamo-nos de um laranjal!
- E as laranjeiras estão cobertas de laranjas, Senhor! Mas estão cercadas por um muro tão alto!
- Repara, está um rapaz junto ao portão. Vamos falar com ele.
- Ai que bem que me sabia agora uma laranja! Estou cheio de sede! Ó menino, deixas-me comer uma laranja, deixas?!... (Pedro)
- Claro que deixo. Colha as que quiser. Escolha as maiores e as mais maduras.
- Que boas que estão estas laranjas, hummm finalmente mato a sede… Mestre, coma uma laranja!
- Colha as que quiser. Escolha as maiores e as mais maduras.
Jesus entrou no laranjal, estendeu o braço e colheu a primeira laranja que encontrou. Era uma laranja pequena que tinha amadurecido na ponta de uma laranjeira muito velha. Depois de ter comido a laranja, Jesus perguntou ao rapaz:
- Que presente gostavas muito de ter?
- Eu gostava muito de ter uma gaitinha. Uma gaitinha muito especial. Que quando eu tocasse nela, tudo havia de dançar.
- Aqui tens o teu presente.
- Muito obrigado, senhor!
Pedro e Jesus agradeceram as laranjas ao rapaz e voltaram ao seu caminho.
O rapaz pôs-se a admirar a gaitinha sem saber que o dono do laranjal estava ali perto escondido num matagal de silvas e tinha visto e ouvido tudo.
- Este rapaz precisa levar uma boa tareia. Então eu pago-lhe para guardar o laranjal e ele põe-se a oferecer laranjas aos caminhantes! Onde é que se viu tamanho descaramento! Ora já vais ver! ( Entretanto o menino começa a tocar na gaitinha) HÃ?! Mas o que é isto? Eu não quero dançar! Eu não quero dançar! Ai! Ai! Estou a arranhar-me todo!
Entretanto o rapaz afastou-se tocando a sua gaitinha sem se aperceber do que tinha acontecido ao dono do laranjal. Pelo caminho, cruzou-se com um comerciante de loiça de barro. No mesmo instante os dois começaram a dançar a saltar e a rodopiar. Acabando o burro por desatar a correr para bem longe.
-Ah malandro, que já vais ver o que te espera! Ai minha rica loucinha! Ai meu rico burrinho! Ai de mim, que fiquei pobre num instantinho! E a culpa e toda tua, rapaz! Vou levar-te ao tribunal. Vou falar com o senhor juiz!
No tribunal…
- Senhor doutor juiz, faça justiça! Dê um castigo exemplar a este rapaz, que me desgraçou a vida.
- Tenha calma! Tenha calma! Quero ver como é que as coisas se passaram. Rapaz, trazes aí a gaitinha?
- Trago senhor doutor juiz. É esta!
- Então começa a tocar!
(O menino toca e todos começam a bailar. Entra na sala a mãe do juiz que era entrevada.)
Vá de folia, vá de folia!
Que há sete anos não me mexia.
Vá de folia, vá de folia!
Que há sete anos não me mexia.
- Pára rapaz! Não toques mais na tua gaitinha!
- Sim, senhor!
- Rapaz, estás perdoado. Se é verdade que fizeste estragos ao tocares nessa gaita maravilhosa, também é verdade que deste uma grande alegria. Conseguiste curar a minha mãe, que não mexia as pernas há sete anos. Vai em paz.
O juiz decidiu e assim se cumpriu.




(6.º C)






O Sapateiro e os Anões




Era uma vez um sapateiro que trabalhava muito e era muito honesto. Apesar disso era muito pobre e não conseguia juntar dinheiro. Chegou o dia em que só tinha couro suficiente para fazer um par de sapatos. Então ele cortou o couro e deixou tudo pronto para fazer os sapatos no dia seguinte.
Na manhã seguinte, quando ia para trabalhar, encontrou, em cima da bancada, um par de sapatos já feito. Muito espantado chamou pela mulher que ficou encantada com aquele maravilhoso par de sapatos.
No mesmo dia, entrou um cliente, que adorou os sapatos, e pagou-os com uma moeda de ouro.
Com a moeda de ouro o sapateiro comprou couro para fazer dois pares de sapatos e com o dinheiro que sobrou a sua mulher comprou comida. Depois de cortar o couro e preparar o material para fazer os sapatos foi-se deitar e, novamente, no dia seguinte, estavam já prontos os dois pares de sapatos.
Os sapatos foram vendidos num instante e o sapateiro foi comprar mais cabedal. Daí em diante, todos os dias se repetia o mesmo e cada vez o sapateiro tinha mais sapatos para vender e todos os dias apareciam clientes.
Certo dia, o sapateiro e a mulher decidiram esconder-se na oficina para descobrirem que vinha fazer os sapatos durante a noite. Ao bater das doze badaladas apareceram dois anões que se movimentavam tão rápido como um relâmpago e num instante fizeram os sapatos.
A mulher e o sapateiro queriam recompensar os anões por tudo o que tinham feito por eles. Então, como os anões não tinham roupa nem sapatos, a mulher do sapateiro decidiu fazer-lhes roupa e o sapateiro decidiu fazer-lhes uns sapatos de cabedal macio.
Na noite seguinte, quando regressaram, os anões encontraram os presentes em cima da bancada. Vestiram-se, calçaram-se e começaram a dançar e a cantar. Depois foram-se embora e nunca mais voltaram.
O sapateiro e a mulher já tinham muito dinheiro guardado, nunca mais faltou o trabalho nem nunca mais voltaram a passar fome.



(Chloe Richards, 6.º A)






A Galinha Medrosa



Tudo começou quando a galinha saiu do galinheiro, e se pôs a esgravatar o chão à procura de uma minhoca para pôr no papo vazio. Quando o dia começou a aquecer e a galinha para não apanhar sol encostou-se a uma parede. Mal se tinha encostado já um bocado de cal saía da parede elhe caía em cima da cabeça e ela como era medrosa desatou a correr.

A galinha começou a espalhar que o céu estava a cair e os animais, muito assustados, corriam atrás dela até que chegaram ao pé de um cão. A galinha contou a história ao cão tal como contou aos outros animais, mas ele não ficou muito convencido com aquela história.

Contudo, o cão mandou-os a todos para baixo da cama da sua dona para se protegerem e ficaram à espera para ver o que acontecia, mas não acontecia nada. Depois adormeceram.

A meio da noite, a dona do cão mexeu-se, a cama fez um barulho e os animais acordaram sobessaltados e começaram num alvoroço.
A dona do cão, ao vê-los, mandou-os a todos sair lá para fora. Eles saíram e quando olharam para o céu viram que nada tinha acontecido.

Telma Martins, 6.º A











O João Mandrião

João vivia com a mãe, numa casa muito velha.
João era muito preguiçoso e não gostava de trabalhar. Certo dia a mãe ameaçou abandoná-lo se ele não fosse trabalhar, e ele, com medo do pior, lá se decidiu.
João decidiu ajudar um lavrador.
- Boa tarde João.
- Olá o que é que eu posso fazer para ajudá-lo?
- Vamos cavar buracos para semear batatas.
No final do dia, como recompensa, o lavrador deu-lhe uma moeda de cobre. Quando chegou a casa, reparou que tinha perdido a moeda.
- Mãe perdi a moeda que o lavrador me deu de recompensa pelo meu trabalho.
-És um tonto! Se a tivesses guardado no bolso, não a terias perdido.

No dia seguinte o João foi trabalhar por conta de um leiteiro:
- Bom dia senhor, em que posso ajudá-lo?
- Ajuda-me a encher as bilhas de leite, rapaz.
Ao final do dia, para recompensá-lo, deu-lhe uma bilha de leite. O João pegou na bilha e despejou-a no bolso. Quando chegou a casa estava todo sujo e ensopado.
-Estás cada vez mais idiota! Devias trazer a bilha à cabeça!

No dia seguinte, foi trabalhar para um queijeiro. Ao final do dia, ele deu-lhe uma queijo fresco. O João pôs o queijo à cabeça, e como era fresco, foi-se desmanchando, e quando chegou a casa já não tinha queijo e tinha o cabelo todo empastado e a cara toda lambuzada.
- Ai meu Deus! Olha o teu estado. – disse a mãe - Então tu não te lembraste que era melhor trazê-lo nas mãos?!
-Para a outra vez minha mãe. Agora não há remédio!

Depois foi trabalhar para casa de uma velha professora de crianças que lhe deu um gato muito bonito e felpudo. Ele levou-o nas mãos, mas como é óbvio, o gato fugiu. Quando chegou a casa e contou à mãe, esta aborreceu-se muito e aconselhou-o a que, da próxima vez, trouxesse o gato atrás de si, atado com um cordel.

No dia seguinte, foi trabalhar para um açougueiro, que, em paga, lhe deu uma perna de carneiro. Ele atou-a com um cordel, e levou-a arrastando atrás de si, pelo chão, até a casa. A mãe, ao ver o estado em que vinha a carne, perdeu a paciência, ainda mais porque só tinha pão duro para a ceia.
-O que tu precisavas é que eu te desse uma sova! Porque é que não trouxeste a perna de carneiro ao ombro?
No dia seguinte, foi trabalhar para um negociante de gado, que em paga, lhe deu um burro. João tentou meter o burro ao ombro, e quando conseguiu, já não podia quase que dar um passo.
Passou por uma casa onde vivia um lavrador rico, que tinha uma filha surda-muda. Esta estava à janela e quando viu o João com o burro às costas começou a rir de tal forma que ficou curada e começou a falar e a cantar. O pai da menina ficou tão contente por o rapaz ter curado a filha que lhe deu a sua mão em casamento. E foi assim que o João casou e ganhou juízo e foi feliz com a sua mulher.

Megan Lindemann e Isa Sequeira, 6.º B




O Nabo Gigante

Numa aldeia à beira de uma montanha, havia uma pequena casa.
Além disso havia um pomar, mas ainda uma capoeira cheia de galinhaços na casa vivia duas pessoas um velho e uma velha o velho desde de menino que tratava da terra e repartia com os animais na capoeira.
Finalmente quando a primavera chegou naquele ano desseguida os pássaros começaram a voar sobre a terra a certa altura voltaram para fazer os seus ninhos.
O velho levantou-se muito cedo tomou o pequeno-almoço mal foi tratar da sua horta semeando as sementes de nabo os dias passaram muito lentamente logo as sementes de nabo começaram a rebentar.
O velho descobriu que no seu nabal cresceu um enorme nabo.
Verificava todos os dias o que lhe tinha acontecido, e ficava espantado com o seu nabo gigante.
Como o nabo estava a incomodar os seus outros legumes, então a mulher disse:
-“Tens de arrancar aquele nabo!”
-Está bem mulher, vou já!
O velho foi para a horta tentar arrancar o nabo mas nada conseguio então chamou a mulher dizendo: Mulher anda cá. Ajuda-me!
Mulher: Anda cá minha menina.
Menina: Também já vou.
Menina: Mano anda cá ajudar.
Menino: Ok!
Menino: Boby, anda cá!
Cão: Gato, anda cá!
Rato: O que é que vocês estão a fazer?
Gato: Estamos a tentar arrancar o nabo da horta!
Rato: Posso ajudar?
Gato: Está bem mas não vais conseguir.
Finalmente quando conseguiram tirar o nabo caíram todos uns em cima dos outros.
Como a velha era uma grande cozinheira decidiu convidar todos os que ajudaram para um grande banquete.

Basiliana Pinto
, 6.ºB



O VELHO, O RAPAZ E O BURRO

Um dia, iam pela estrada da aldeia um velho, o seu neto e um burro.
Diz o velho:
- Como és novinho salta para cima do burro porque eu estou habituado a longas caminhadas.
Uns camponeses, ao passarem por eles, ficaram de boca aberta e exclamaram:
- Um moço tão forte e repimpado em cima do burro, enquanto o avô que já é velhote vai a pé?! O mundo está às avessas.
Ao ouvir isto, o avô disse para o neto:
- Para não ouvirmos mais falatórios salta do burro abaixo e deixa-me ir montado nele.
E lá seguiram caminho. Pouco depois encontram outros camponeses, e estes, indignados, disseram:
- Ó velho, tu que estás habituado a andar a pé vais repimpado no burro, enquanto o coitado do teu neto vai a pé.
Então o avô disse para o neto:
- Olha, para não ouvirmos mais falatórios é melhor irmos ambos montados no burro!
Os dois seguiram caminho, montados no burro.
Nisto passou outro grupo de camponeses e reclamando disseram:
- Coitadinho do animal, é capaz de rebentar com aqueles dois montados nele.
- Olha meu neto, vamos descer os dois do burro para não ouvirmos mais críticas – disse o velho.
Seguiram o seu caminho e encontraram novamente camponeses indignados que lhes disseram:
- Ai o que eu estou a ver! Então não é que vai ali um pobre velho a arrastar-se e mais um rapaz que já deve estar bem cansado e o fidalgo do burro sem ninguém em cima dele! Isto é mesmo de doidos!
Então o velho parou e disse:
- Olha meu neto, como já vejo que não conseguimos acabar com os falatórios, vamos como estávamos ao princípio: volta para cima do burro, que eu vou muito bem a pé!!!
Moral da História:
Dar satisfações ao mundo,
Só os loucos as vão dar.
Se o mundo quer dizer mal,
Ninguém o pode calar.

Dalila Vieira, Eva Bento, Rita Antunes e Sofia Almeida, 6.º A

Reconto elaborado a partir do conto "O Velho, o Rapaz e o Burro" retirado do livro "Os avós e os Netos"

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